quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Um verdadeiro herói!

Foi para os braços da esposa e dos filhos que ele correu quando finalmente chegou em casa, exausto, após o dia mais cansativo (e triste) de sua vida . Entrou primeiro no quarto do filho mais velho, que dormia. Pé ante pé, chegou à cama do menino, fez carinho na sua cabeça e deu um beijo no seu rosto. O garoto acordou e recebeu o pai com um abraço e olhos brilhando: estava diante do seu maior herói. Com a caçula, fez a mesma coisa. Muito pequena, porém, a menina não acordou.
Foi então para seu quarto, encontrou a esposa, deu-lhe um beijo, um abraço... Ela, então, abraçou-o bem forte, quase que não o largava. Falou também do orgulho que sentia pelo esposo.
Tentou retomar a vida normal. Mas, retomar a vida não seria assim tão fácil. Depois de presenciar as cenas mais fortes que já tinha visto em sua vida e que comparou às "imagens dos filmes de guerra" que costumava assistir, teve dificuldades para dormir.
Quando fechava os olhos, vinham aquelas tristes cenas. As crianças feridas, o atirador correndo na sua direção e apontando a arma para ele...
Aclamado pela sociedade como herói e recebido com homenagens no Quartel General da Polícia Militar, o sargento Márcio Alves, policial militar, que salvou a vida de várias crianças no massacre do Realengo, não se vê como alguém especial. Ao falar sobre o que aconteceu em Realengo usa o plural - "nós" - para ressaltar que o mérito não é só dele, mas de toda a equipe.
- Sozinhos, nós não temos condições de agir. A equipe foi providencial no momento... - afirmou, completando - Eu não me sinto um herói porque um verdadeiro herói teria conseguido salvar a todos. Eu só cumpri meu dever de proteger a sociedade.
Ainda bastante abalado, com os olhos vermelhos e uma expressão triste, o policial deixou uma mensagem para as famílias das vítimas.
- Quero externar meus pêsames para as famílias que tiveram vítimas desse atirador... Que eles me perdoem porque eu não consegui chegar lá antes. Gostaria até de encontrar com algum deles, mas tenho medo que estejam chateados comigo. Aos que se salvaram, eu agradeço o reconhecimento que eles tiveram por termos chegado a tempo de evitar o pior.
Ao entrar naquela escola no dia 7 de abril de 2011, às 8:30h, o sargento Márcio Alves não sabia que seria visto como herói. Ele somente pretendia cumprir o seu dever.
Mas, ao cumprir seu dever, ele proporcionou que dezenas de crianças abraçassem e beijassem novamente seus pais, que irmãos continuassem a brincar com irmãos e, que amigos não derramassem suas lágrimas pela dor da separação. Além de salvar vidas, ele nos ensinou a darmos mais valor a momentos simples como estes. E não é isto um herói?
Clique aqui e visite outro blog de Antonio Bernardo:

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Esta mensagem é de autoria de Antonio Bernardo.
Faça um comentário, dê sua opinião e, se desejar, siga o blog.

Mais lidos