quinta-feira, 28 de julho de 2011

Nunca é Tarde para Sonhar.


Tem gente que já nasce grande! Eu não digo grande no sentido de tamanho físico, mas sim, no sentido espiritual. Vejo o exemplo de alguns desses personagens e me sinto muito pequeno. Charles Spencer Chaplin, mais conhecido como Charlie Chaplin, foi um deles.
Ator, diretor, produtor, comediante, dançarino, roteirista e músico britânico. Chaplin foi o ator mais famoso da era do cinema mudo, notabilizado pelo uso de mímica. E podemos ser tentados a pensar que ele nasceu em berço de ouro e recebeu apoio de seus pais. Mas, não foi assim. Compartilho com vocês alguns episódios da vida dele e penso: Será que se eu, Antonio Bernardo, estivesse no lugar dele, teria a coragem que ele teve de lutar contra aquilo que todos já imaginavam saber: que ele seria um fracasso na vida?
Charlie Chaplin atuou, dirigiu, escreveu, produziu e financiou seus próprios filmes. Sua carreira durou mais de 75 anos, desde suas primeiras atuações quando ainda era criança até sua morte aos 88 anos de idade!
Chaplin aprendeu a cantar com seus pais, os quais se separaram antes dele completar três anos de idade. Após a separação, Chaplin foi deixado aos cuidados de sua mãe, que estava cada vez mais instável emocionalmente.
Um problema de laringe acabou com a carreira de cantora de sua mãe. A primeira crise de Hannah Chaplin ocorreu em 1894 quando ela estava cantando no "The Canteen", um teatro, geralmente frequentado por manifestantes e soldados. Além de ser vaiada, Hannah foi gravemente ferida pelos objetos atirados pela platéia. Nos bastidores, ela chorava e argumentava com o seu gerente. Enquanto isso, com apenas cinco anos de idade, o pequeno Chaplin, mesmo reconhecendo o perigo de enfrentar uma plateia furiosa, subiu sozinho ao palco e cantou uma música popular da época, "Jack Jones". Sua coragem e talento começaram a ser reconhecidos ali.
O pai de Chaplin, era alcoólatra e tinha pouco contato com seu filho, apesar dele morar durante um curto período de tempo com seu pai e sua amante, enquanto sua mãe, mentalmente doente, residia em um Asilo. Seu pai morreu de cirrose no fígado quando Chaplin tinha doze anos, em 1901.
Após a mãe de Chaplin ter sido novamente admitida em um Asilo, Chaplin foi deixado em uma casa de trabalho, no sul de Londres, mudando-se após várias semanas para uma escola para pobres em Hanwell. A mãe de Chaplin morreu em 1928, em Hollywood, sete anos após ter sido levada para os Estados Unidos por seus filhos.
Seu principal e mais conhecido personagem foi “O Vagabundo”. O Vagabundo é um andarilho pobretão que possui todas as maneiras refinadas e a dignidade de um cavalheiro; aparece sempre vestindo um paletó apertado, calças e sapatos desgastados e mais largos que o seu número, e um chapéu-coco; carrega uma bengala de bambu; e possui um pequeno bigode-de-broxa. O público viu o personagem pela primeira vez no segundo filme de Chaplin, Kid Auto Races at Venice, lançado em 7 de fevereiro de 1914.
Visto que grupos de imigrantes chegavam constantemente na América, os filmes mudos foram capazes de atravessar todas as barreiras de linguagem, sendo compreendidos por todos os níveis da Torre de Babel americana, simplesmente devido ao fato de serem mudos. Nesse contexto, Chaplin foi emergindo e tornando-se o exponente máximo do cinema mudo.
Em 1916, a Mutual Film Corporation pagou a Chaplin US$670.000,00 para produzir uma dúzia de comédias com duração de duas bobinas. Foi dado a ele controle artístico quase total, produzindo doze filmes durante um período de dezoito meses, notando que estes estão entre os filmes de comédia mais influentes da história do cinema.
Apesar dos filmes "falados" tornarem-se o modelo dominante logo após serem introduzidos em 1927, Chaplin resistiu a fazer um filme assim durante toda a década de 1930. Ele considerava o cinema uma arte essencialmente pantomímica. Ele disse:
"A ação é geralmente mais entendida do que palavras. Assim como o simbolismo chinês, isto vai significar coisas diferentes de acordo com a sua conotação cênica. Ouça uma descrição de algum objeto estranho — um javali-africano, por exemplo; depois olhe para uma foto do animal e veja como você fica surpreso".
Chaplin nunca explicou detalhadamente seus métodos de filmagem, alegando que tal coisa seria o mesmo que um mágico revelar seus truques. Chaplin tinha cenários já construídos e trabalhava com seu elenco estático para improvisar piadas em torno das premissas, quase sempre pondo as idéias em prática na hora das filmagens. Enquanto algumas idéias eram aceitas e outras rejeitadas, uma estrutura narrativa começava a emergir, muitas vezes exigindo que Chaplin refilmasse uma cena já concluída que poderia ir contra o enredo.
Esta é uma razão pela qual Chaplin levou muito mais tempo para concluir seus filmes do que seus rivais. Além disso, Chaplin era um diretor extremamente exigente, mostrando a seus atores exatamente como eles deveriam atuar e filmando dezenas de tomadas até conseguir a cena que ele queria. O animador Chuck Jones, que morava perto do estúdio de Chaplin quando era garoto, lembra de seu pai dizendo que viu Chaplin filmar uma cena mais de cem vezes até ficar satisfeito. Esta combinação de improvisação do enredo e perfeccionismo—que resultou em vários dias de esforço e milhares de metros de filme desperdiçados, tudo a um enorme custo—quase sempre revelou-se muito oneroso para Chaplin.
Em 1972, Chaplin ganhou o Oscar de Melhor Trilha Sonora pelo filme Luzes da Ribalta, de 1952, que também foi um grande sucesso. Chaplin também foi indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original e Melhor Ator em O Grande Ditador em 1940, e novamente por Melhor Roteiro Original em Monsieur Verdoux em 1948.
Porém, durante seus anos ativos como cineasta, Chaplin expressava desprezo pelos Oscars; seu filho descreve que ele provocou a ira da Academia ao deixar seu Oscar de 1929 ao lado da porta, para não deixá-la bater. Isto talvez explique porque Luzes da Cidade e Tempos Modernos, considerados por várias enquetes como dois dos melhores filmes de todos os tempos, nunca foram indicados a um único Oscar.
Na 1ª Entrega dos Prêmios da Academia em 16 de maio de 1929, Chaplin havia sido originalmente indicado ao Oscar de Melhor Ator e de Melhor Diretor de um Filme de Comédia pelo seu filme O Circo, mas seu nome foi retirado quando a Academia decidiu dar-lhe um prêmio especial "pela versatilidade e genialidade em atuar, escrever, dirigir e produzir O Circo".
O segundo Oscar Honorário de Chaplin veio em 1972, e foi pelo "efeito incalculável que ele teve em tornar os filmes a forma de arte deste século". Ele saiu de seu exílio para receber esse prêmio, e recebeu a mais longa ovação em pé da história do Oscar, com uma duração total de dez minutos!
Chaplin foi incluído na Lista de Honras do Ano Novo em 1975. No dia 4 de março, com oitenta e cinco anos de idade, foi nomeado Cavaleiro Comandante do Império Britânico (KBE) pela Rainha Elizabeth II.
Comercialmente, Chaplin produziu alguns dos filmes de maior bilheteria da era do cinema mudo; The Gold Rush é o quinto com US$4,25 milhões, e O Circo é o sétimo com US$3,8 milhões.
Chaplin saiu da pobreza extrema à riqueza. Isto não aconteceu simplesmente como num passe de mágica, ele trabalhou duro para chegar lá. Ao conhecer este exemplo de perseverança sinto-me inspirado a continuar lutando pelos meus sonhos, pois, nunca é tarde para sonhar.

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Esta mensagem é de autoria de Antonio Bernardo.
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