sexta-feira, 8 de julho de 2011

"Velocidade, Alma, Emoção"

 

Nós, que somos afixionados por esporte, nunca esqueceremos este dia:

No Brasil, em maio de 1994, foi muito difundida uma frase dita pelo jornalista Roberto Cabrini ao Plantão da Globo. Logo após a confirmação da morte de Ayrton, pelo hospital, Cabrini noticiou dizendo, por telefone:

“Morreu Ayrton Senna da Silva... Uma notícia que a gente nunca gostaria de dar."
Ayrton Senna da Silva foi um piloto brasileiro de fórmula 1, três vezes campeão mundial, nos anos de 1988, 1990 e 1991. Foi também vice-campeão no campeonato de 1989 e em 1993. Morreu em acidente no Autódromo Enzo e Dino Ferrari, em Ímola, durante o Grande Prêmio de San Marino de 1994. É considerado um dos maiores nomes do esporte brasileiro e um dos maiores pilotos da história do automobilismo.
Em 2009 a revista inglesa Autosport publicou uma matéria onde fez uma eleição para a escolha do melhor piloto de Fórmula 1 de todos os tempos e Ayrton Senna venceu tal votação.
Além de sua habilidade em pilotar, Senna foi um dos esportistas mais admirados. Bastante introspectivo e extremamente passional, costumava pilotar como uma forma de se auto-descobrir e as corridas eram uma metáfora para sua vida:









“- Quanto mais eu me esforço, mais eu me encontro. Eu estou sempre olhando um passo à frente, um diferente mundo para entrar, lugares onde eu nunca estive antes. É muito solitário pilotar num GP, mas muito cativante. Eu senti novas sensações e eu quero mais. Essa é a minha excitação, minha motivação.”
Gerard Berger, companheiro de equipe, disse sobre o companheiro: "Ele me ensinou muito sobre o automobilismo, e eu o ensinei a rir."
Durante o Grande Prêmio de San Marino de 2004, dez anos após a morte de Senna, em uma série de entrevistas, Gerhard Berger, o companheiro de Senna na McLaren 1990-1992 e também amigo muito próximo, expressou o que era a qualificação para Senna:

"Eu lembro de um fim de semana em Ímola em que eu fui para a pista e marquei o tempo. Ele saiu e foi um pouquinho mais rápido. Eu saí de novo e fui um pouquinho mais rápido que ele. Ele saiu e novamente foi um pouco mais rápido que eu e, daí, eu fui à frente, depois para trás — como ping pong — até o fim da qualificação. Era o último conjunto de pneus e ele estava sentado no seu carro, eu no meu, e ele saiu do carro, andou em volta do meu e disse: "Ouça, vai ser muito perigoso daqui para a frente." e eu respondi: "E daí? Vamos lá!"
Ayrton descreveu em detalhes seu estado durante uma volta de classificação no GP de Mônaco de 1988:

"…a última sessão de qualificação. Eu já estava com a pole, por meio segundo à frente do segundo colocado, e depois um segundo. De repente, eu estava próximo de abrir dois segundos à frente dos outros, incluindo meu companheiro de equipe com o mesmo carro. Então eu percebi que eu não estava mais pilotando com consciência. Eu pilotava por instinto, me sentia numa outra dimensão. Era como se eu fosse entrar num túneo. Não apenas o túnel sob o hotel, mas todo o circuito parecia um túnel. Eu estava apenas indo e indo, mais e mais e mais… Eu estava acima dos limites e achava que ainda era possível buscar alguma coisa mais. Então, de repente, alguma coisa me tocou. Um tipo de despertar ao perceber que eu estava em outra atmosfera, diferente daquela que normalmente eu estava. Minha reação imediata foi a de retornar, reduzir. Eu dirigi lentamente aos boxes e não quis mais sair de novo naquele dia. Isso me apavorou porque eu estava consciente. Isso me acontece raramente, mas eu guardei essas experiências bem vivas dentro de mim porque é muito importante para a sobrevivência."
Sempre que vencia uma corrida, Senna buscava — e alguém sempre lhe entregava — uma bandeira do Brasil que ele fazia tremular durante a volta da vitória. Essa atitude tornou-se uma marca registrada do piloto, e a Prefeitura de São Paulo resolveu, em 1995, homenageá-lo com uma escultura colocada na entrada do Túnel Ayrton Senna que passa sob o Parque do Ibirapuera. A obra de 5,0 m em bronze denominada "Velocidade, Alma, Emoção". Esta peça foi desenvolvida tendo como base o carro de Fórmula 1 de Ayrton Senna, com a finalidade de cumprir uma homenagem ao ídolo em três objetivos:
"Velocidade" — imortalizar sua passagem meteórica;
"Alma" — apreender de forma subentendida, porém substancial, sua presença anímica e carismática;
"Emoção" — representada pela bandeira, simbolizando a entusiasmada vibração que sacudiu a todos brasileiros, criando uma união não só nacional, mas universal.
Ayrton Senna usou parte de sua fortuna para criar o Instituto Ayrton Senna, com o propósito de ajudar os jovens pobres do Brasil e no mundo.
Depois da morte de Senna, surgiram declarações de que ele teria feito doações de sua fortuna pessoal, estimada em 400 milhões de dólares, às crianças carentes, fato que ele teria tentado manter em segredo.
A Seleção Brasileira de Futebol dedicou, no mesmo ano de sua morte, a conquista da Copa do Mundo a Ayrton Senna. Os jogadores seguraram uma faixa com os dizeres: "Senna... Aceleramos juntos, o tetra é nosso".
Talvez a maioria de nós não possa fazer coisas tão grandiosas no mundo, mas podemos contribuir sendo um pouco mais gentis, cavalheiros e amigáveis. Podemos deixar o mundo um pouco melhor, mesmo que seja o nosso pequeno mundo da comunidade ou do nosso próprio lar. Assim como o Senna, ao fazermos a nossa contribuição, não esperemos reconhecimento público, mas, se ele vier, que tenhamos a capacidade de continuarmos humildes.

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Esta mensagem é de autoria de Antonio Bernardo.
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