Às vezes penso sobre algumas perguntas que nunca deveriam ser feitas. Principalmente, se elas costumam sair de nossa própria boca.
A maneira com que perguntamos determinadas coisas revela o que pensamos sobre as pessoas, as situações, e, por incrível que pareça, revela muito sobre nós mesmos.
Publico esta mensagem para ajudar aqueles que querem perguntar o que é certo, mas não sabem como fazê-lo e para aqueles que vivem se perguntando o porquê não conseguem liderar com eficiência.
Para ilustrar este pensamento, publicarei neste blog, durante algumas semanas, dicas de perguntas que nunca devemos fazer.
Primeira pergunta: “Você conseguiu cumprir a designação?”
Parece uma pergunta simples e correta, mas vou explicar porque nunca devemos perguntar isto. Para esta primeira pergunta utilizarei um exemplo:
Vamos supor que eu seja o líder de uma equipe e, que, como parte de meu trabalho de liderança, eu tenha que dar designações para serem cumpridas por determinados membros desta equipe. No final do prazo estipulado, eu devo entrevistar o membro designado para receber o relato sobre o cumprimento da designação.
Então, continuaremos supondo que, após dar uma designação a determinado indivíduo, membro da equipe, e que o mesmo tenha aceitado a designação, na hora de receber o relato, eu faça a seguinte pergunta:
- Você conseguiu cumprir a designação?
Naquele momento eu posso estar pensando que, desta forma, ou seja, utilizando um método mais “suave” para não constranger o indivíduo, demonstro que estou sensível a qualquer dificuldade que lhe possa ter acontecido durante o período de realização da designação. Talvez eu aja desta forma a fim de conquistar a simpatia daquela pessoa ou algo assim. Mas, uma coisa é certa, simpatia foi o que eu menos consegui conquistar ao fazer este tipo de pergunta. Muito pelo contrário, eu demonstrei, por meio de linguagem subliminar, agindo desta maneira:
· Falta de confiança no indivíduo.
1º- As palavras “você conseguiu” dão a entender que existe certa dúvida se a designação foi cumprida realmente ou não. Elas demonstram que eu não confio o suficiente naquele membro da equipe e, então, eu acredito que ele não conseguiu fazer o que se comprometeu. E, isto pode fazer com que este membro da sua equipe fique desmotivado por achar, talvez erroneamente, que ele não é tão importante quanto achava que era.
· O trabalho não tinha grande importância.
2º- Apesar de ser algo de extrema importância, a minha pergunta levantou dúvidas sobre o valor do trabalho, parecendo que aquilo que eu designei, ou seja, o trabalho, não era tão importante. Tanto que, existia a possibilidade de não ser realizado. E o pior é que aquele membro nem desconfiou disso até a pergunta ser feita na hora do relato. Isto acarreta certa frustração no indivíduo, pois, ele acreditou que estava envolvido em algo realmente importante.
· Eu não sei liderar.
3º- Eu não sei liderar com eficiência, pois, não tenho coragem para fazer perguntas relevantes que farão com que a equipe produza seu melhor. Tenho medo de ofender ou de receber uma resposta negativa ao exercer minha função, ou, pior ainda, não sei como reagir diante de uma resposta negativa. E, outra coisa importante: estou muito preocupado com o que as pessoas pensam a meu respeito. Enquanto não mudar minha postura eu continuarei fingindo que lidero e a equipe continuará fingindo que é liderada. É uma situação muito cômoda para ambas as partes e, ninguém cresce neste processo.
Se eu uso este tipo de pergunta, então, das três hipóteses acima, com certeza, uma está correta. Talvez eu confie realmente no indivíduo e o trabalho seja de extrema importância, mas, ainda falta muito para eu aprender a liderar.
Agora, aqui vão alguns exemplos de perguntas que eu considero corretas:
O que você aprendeu ao ler o livro designado?
Como está a família do José que você visitou?
Como se sentiu ao ensinar a Sra. Maria a escrever?
Estas perguntas dão a impressão de que eu acredito que a designação foi cumprida. Se, ao contrário, ela não foi, o indivíduo ficará frustrado, não pelos motivos acima, mas sim, por não ter atingido as expectativas que seu líder tinha dele. Ele se esforçará mais da próxima vez e cumprirá suas designações com alegria, pois, se sentirá valorizado.
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Esta mensagem é de autoria de Antonio Bernardo.
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